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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

"Vi-te..."


Nos últimos dias, as páginas do facebook “Vi-te” estão a tornar-se grande moda na rede social. É uma nova forma de reencontrar alguém que, de alguma forma, chamou a atenção numa viagem, numa passagem, numa troca de olhares. No comboio, no metro, no autocarro, no ISCTE (porque me é mais familiar), no Sardinha Biba (porque lhe achei piada!). Eu gosto destas páginas. Ou pelo menos da ideia em que se baseiam (como em tudo, depende do uso que lhe dão). Nunca me aconteceu (o meu “Vi-te” foi mais à porta da escola...) mas acho bonito que uma pessoa que se “apaixone” à primeira vista num de qualquer destes sítios possa, depois, encontrar essa outra pessoa. Ainda sou daquelas que acreditam em finais felizes. Não posso achar estas páginas ridículas, como ouço por aí. Ridículo é não escrever cartas de amor e nunca ter visto o filme “Titanic”. Ridículo é tentar definir sentimentos, analisar os seus prós e contras e esperar que a Fátima Campos Ferreira indique qual a decisão mais favorável. Ridículo, digo eu, é ler “Os Maias” por obrigação e nunca ter ouvido falar de Shakespeare. Ridículo é nunca ter falado baixinho ao ouvido, não passear de mãos dadas e não saber receber. E que é feito do medo, do sonho, do risco e da loucura? Devem ser, como disse uma vez a Madonna, apenas palavras bonitas ditas antes de uma ejaculação. Eu cá, prefiro ser ridícula, pelo menos até que soem as doze badaladas.

Laura


Vi-te no Comboio